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Mostrando postagens de julho, 2020
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POLITEÍA E PHRÓNESIS: ASPECTOS DA RELAÇÃO ENTRE A ÉTICA A NICÔMACOS E A POLÍTICA DE ARISTÓTELES. Márcio Petrocelli Paixão Resumo O conceito de constituição política ( politeía ), na nossa discussão sobre a relação entre prudência e sabedoria em Aristóteles, precisa ser trabalhado de modo que possamos definitivamente nos concenver de que, para os pensadores clássicos, é somente a partir de uma boa constituição política que uma pólis poderá atingir o seu melhor desenvolvimento. Esse aspecto da pólis -- de depender inteiramente da força das suas constituições - vale em geral para o homem antigo, que apenas se define no contexto da sua cidade. Veja o artigo no link: https://revistas.ufrj.br/index.php/FilosofiaClassica/article/view/3186?fbclid=IwAR2TaZZTLW5evhFNAI2h0ZBI9sWMoOkM8OhmFHJkG_qjL4BUiYKyLoVcH6I
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Os filósofos devem ser lidos “criticamente”? O primeiro problema dessa assertiva é a desconsideração sobre a necessidade de definir o significado de “crítica”. O segundo problema, intimamente ligado ao primeiro, é que não somos capazes de pensamento crítico em relação a um assunto que desconhecemos. Portanto, encorajar um iniciante em filosofia a estudar criticamente os filósofos é supor que ele já sabe sobre o que lerá e que, assim, já está em condições de assumir uma postura crítica diante dos textos. Isso acontece porque muitas vezes os filósofos tratam de temas muito abordados no nosso quotidiano e, de certa maneira, estão da ordem do dia - as grandes coisas sempre estão na ordem do dia, pois são atemporais. Por outro lado, as questões existenciais - as maiores da filosofia - são, de algum modo, de interesse geral, mesmo quando julgamos ignorá-las. Quem jamais se preocupou com temas como a existência de Deus, o destino da alma após a morte ou o sentido da vida? Deístas e ateus...
"Os filósofos viajam" - você já ouviu um aluno dizer isso?
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Textos da série: as cinco dificuldades básicas dos iniciantes no estudo da filosofia “Os filósofos ‘viajam’” Quantas vezes ouvimos alunos pronunciarem a frase “os filósofos viajam”? Na verdade, eu a ouvi e ouço constantemente de alunos e leitores iniciantes dos livros nos filosofia. Normalmente, os que se aborrecem com a maneira de falar dos filósofos são os mesmos que não apreciam a chamada grande literatura. Preferem, caso se trate de alguém que aprecie algum tipo de leitura, livros e discursos “mais objetivos”, que “expliquem” ou contem uma história "diretamente" e "sem rodeios”. Caso você faça parte do grupo de pessoas que pensam assim, um dos dois problemas está em questão: 1.Você não aprecia ou não aprendeu a apreciar a filosofia; 2.Você está mais propenso a crer do que a saber sobre o que ouve (ou lê). Falarei dos dois problemas separadamente. Apreciar ou deixar de apreciar a filosofia não é um problema. Há pessoas que vivem muito bem sem jamais terem ...
Filosofia e Erudição
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A filosofia é pura erudição? O que é a filosofia e como é preciso ensiná-la? - A filosofia enquanto admiração e “encantamento do mundo”. Iniciarei uma exposição que abarca cinco dificuldades básicas dos iniciantes no estudo da filosofia: pensar que a filosofia é pura erudição; que os filósofos “viajam”; que basta ler os filósofos para aprender filosofia; que devem ler os filósofos “criticamente”; não aceitarem que precisam se desarmar diante da leitura de um texto de filosofia. Normalmente, os iniciantes no estudo da filosofia se assustam acreditam (é claro que com razão) no fato de que precisam estudar muito, o que mostra, via de regra, a sua pouca disposição para a leitura. Que os textos de filosofia não são fáceis, não é novidade para ninguém que por eles tenha se aventurado. Mas isso leva diretamente à primeira crença: a filosofia é erudita, uma disciplina para uma pequena elite de polímatas. Essa dificuldade inicial reflete a verdade sobre o estudo da filosofia? ...
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Sobre a Electra de Sófocles A Electra de Sófocles ganha definitiva notoriedade no mundo contemporâneo devido a dois autores: Freud e Nietzsche, embora a peça vá muito além do que pode ser fixado por um autor, que sempre extrai do poema o que lhe importa para as suas teses. A personagem se torna um símbolo no pensamento de Freud pela suposta “fixação” da personagem na figura do pai (Agaménon), embora a peça nos indique a vingança como princípio que leva Electra e o irmão, Orestes, ao plano de assassinar Clitemnestra, pelas mãos de quem Agaménon foi morto. Seria o caso de dizer, se Freud tem razão, que Orestes também possuía uma fixação na figura do pai. Afinal, ele é uma peça-chave no desfecho trágico do drama e não cogita ao longo da peça nada além de vingar o pai e matar a mãe. Nietzsche, ao contrário, considera a estirpe dos Átridas pelo aspecto do destino e da maldição que sobre ela recai, desde o momento em que Agaménon se vê “obrigado” a sacrificar a pequena Ifigênia no altar...
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Sófocles. Electra. Comentários preliminares à peça. A Electra de Sófocles é uma abordagem da estirpe dos Átridas, os filhos e descendentes de Atreu, pai de Agaménon e Menelau, reis e personagens fundamentais da Ilíada de Homero. A peça de Sófocles aborda desde a trágica morte de Ifigênia, a filha de Clitemnestra e Agaménon, sacrificada a Ártemis para que ventos favoráveis levassem os exércitos, dentro das naus ("navios") gregas, a Troia, até o projeto de vingança contra Clitemnestra liderado por Orestes e Electra. Clitemnestra, com efeito, matara Agaménon como vingança pelo ato atroz de imolar Ifigênia no altar de Ártemis. Entre os filhos de Agaménon (Orestes, Electra e Crisótemis), Orestes e Electra planejam a morte da mãe. Clitemnestra, junto com o seu segundo esposo (Égisto), reivindica justiça pelo assassinato confesso de Agaménon, que foi capaz de imolar a própria filha aos deuses. Conhecendo o intento de Electra, que se opõe declaradamente à mãe e ao tirano Égisto, ...
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Sobre a tragédia Édipo Rei de Sófocles (século V a.C.) O Édipo Rei, de Sófocles, certamente é uma das mais importantes e influentes peças teatrais do gênero trágico que chegou até nós. Escrita no apogeu da antiga Grécia (século V a.C), ocupa um lugar especial entre as centenas de poemas trágicos do período. Influenciou não apenas outros poetas e obras imortais da literatura ocidental, mas ganhou destaque na psicanálise e na própria filosofia ocidental. Aristóteles se referiu ao Édipo, na sua Poética, como um modelo de poema trágico. Qual é o tema dominante do Édipo Rei? A peça, hoje, é considerada dentro da trilogia que retrata o grupo dos labdácidas, isto é, Lábdaco e os seus descendentes, herdeiro de uma maldição divina. A versão mais difundida dessa maldição nos conta que erros do rei Laio, filho de Lábdaco, amaldiçoaram toda a sua geração, a começar por ele mesmo e pelo seu filho Édipo. Após uma consulta ao oráculo de Delfos, Laio veio a ter conhecimento de que teria um filho ...
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Estátua de Níke Semotrácia. Algo da obra, das suas histórias e lendas. A estátua Níke Semotrácia se encontra no Museu do Louvre, em Paris, e é hoje considerada uma das mais importantes expressões artísticas do período helenístico, isto é, do pan-helenismo promovido por Alexandre (O Grande), que expandiu a cultura helênica para além das fronteiras das velhas Cidades-Estado dos séculos anteriores. A historiografia registra esse período como “pós-alexandrino”, pois é a partir do ano da morte de Alexandre que se lhe assinala o início, embora isso não teria sido possível sem as campanhas de Alexandre, que estendeu os seus domínios da Pérsia à Índia, para apenas considerar a façanha do filho de Felipe da Macedônia em domínios orientais. Alexandre expandiu o Império Macedônico entre 356 e 323 a.C. Historiadores denominam “período helenístico” uma era que começa precisamente no ano a morte de Alexandre até 30a.C, uma espécie de “período de transição” entre o Império Alexandrino e o Impé...
Grupo de Laocoonte - estátua encontrada nos escombros de Roma no ano de 1506. A obra hoje se encontra no Museu do Vaticano.
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Grupo de Laocoonte - estátua encontrada nos escombros de Roma no ano de 1506. A obra hoje se encontra no Museu do Vaticano. Texto de Márcio Petrocelli Paixão Laocoonte, segundo nos narra a Eneida, poema imortal do poeta Virgílio (Roma, 70-19a.C), foi um sacerdote de Apolo que despertou a ira dos deuses quando arremessou um dardo sobre o Cavalo de Troia, utilizado como estratagema pelos helenos para a entrada e a respectiva tomada da cidade, cujas muralhas eram invencíveis. Durante o cerco da cidade ao longo de dez anos, conforme a narrativa completa da Ilíada de Homero, a guerra jamais havia sido travada dentro dos muros da Tróia. Os gregos, apesar das batalhas sangrentas com os troianos ao redor das muralhas da cidade, jamais conseguiam penetrá-la por meio da força militar. A Ilíada de Homero termina sem a cena da tomada e respectiva queda de Tróia. A estratégia de ocultar o exército grego dentro de um cavalo de madeira (o famoso “cavalo de Tróia”) foi de ninguém menos que Odis...